Inteligentes e Responsáveis
É próprio do ser humano: todos gostamos de ter, de ser e de parecer. Sabemos que entre nós há ricos e pobres, como em todos os paÃses. Não sei se só em dinheiro ou se também na falta de promoção humana, todos ouvimos dizer que o nosso paÃs é dos mais pobres da União Europeia. Sabemos que, efectivamente, cresce a taxa de desemprego. Mas esse nem sequer é o único problema nosso. Há problemas culturais que têm a ver com algo muito para além da instrução dos cidadãos. Há problemas humanos. Há, efectivamente, direitos inalienáveis da pessoa humana a respeitar: acesso humano a cuidados de saúde e bem-estar, segurança, educação para a liberdade, para que possa haver saúde, respeito pelos mais fracos, pela segurança e promoção das suas pessoas. Mas será que nos analisamos também a nós mesmos, para ver se não nos cabe algum peso de culpa? Como reagimos nós a tudo o que ouvimos? Como nos comportamos como cidadãos e por isso responsáveis pela polÃtica do nosso PaÃs?
Mais parece que apenas lamentamos, não sei se com alguma vergonha. Mas talvez seja norma ficarmos passivamente à espera que as coisas mudem, ou que os outros mudem as coisas. E vê-se: quando o mal nos bate à porta, atacamos os "polÃticos". Que polÃticos? Aqueles cidadãos que foram postos a governar o paÃs pelos cidadãos que neles votaram. Acharam que esses eram os melhores entre aqueles que se ofereceram para essa tarefa, os candidatos. E muitos cidadãos nem sequer escolheram: uns ficaram em casa, instalados comodamente ou, por descrença mórbida, não foram votar e outros votaram irresponsavelmente pela escolha de outros, ou pela pressão dos lobbies do partido. Nem repararam que a própria palavra "partido" não contém a verdade inteira. É simplesmente uma possibilidade, é... partido(a). Depois, na hora do aperto, mesmo os que não foram votar pedem contas aos polÃticos dirigentes. Usamos, também aÃ, a ideologia da sociedade de consumo: os outros produzem as mudanças e nós consumimo-las. Mas não deve ser assim num paÃs: num Estado democrático, como o nosso, todos são polÃticos, isto é, responsáveis pelo bem-estar do paÃs (polis), embora cada qual no seu lugar. Os governantes, cidadãos a quem nós confiamos o poder de gerir os assuntos da governação, fomos nós que os escolhemos para isso. Por isso, a responsabilidade recai também sobre nós, cidadãos, ou seja, "polÃticos" em sentido lato. Entretanto, os postos de trabalho diminuem, a pobreza e a corrupção avança, num paÃs belo e detentor de um dos melhores climas da Europa. O que nos falta? Cidadãos responsáveis. Para isso, é preciso que surjam na vida polÃtica pessoas activas, das mais competentes e capazes do ponto de vista da sensibilidade à s situações humanas, do ponto de vista intelectual capazes de terem ideias e de escutar os outros para melhores projectos, e do ponto de vista moral capazes de trabalharem com a maior honestidade. Teremos de rejeitar quem pouco mais vale do que para falar epicamente de si mesmo, como heróis na vitória sobre monstros do passado que não volta! É urgente que os jovens inteligentes, trabalhadores, generosos e honestos sejam incentivados à participação polÃtica, sem se deixarem aprisionar por ideologias cristalizadas em partidos que se esvaem em palavras e discursos que nada dizem. É preciso que todos participem activamente na polÃtica, intervindo sem perder alguma oportunidade, para que o paÃs não fique entregue aos menos capazes, menos inteligentes, sempre os mais oportunistas. Muitos desses são apenas servidores de partidos, ou deles se servem para realizar interesses pessoais, sem o mÃnimo de sentido sócio-humano.
Assim sendo, nenhum cidadão tem o direito de se abster do voto, pensado em liberdade e responsabilidade. Quanto maior for a abstenção pior será a representação democrática de um paÃs. A qualidade dos governantes depende da qualidade e quantidade dos votos que os elegeram. Por isso é que em muitos paÃses em que o voto é obrigatório a abstenção é punida com sanções. Em Portugal, este dever polÃtico dos cidadãos não implica sanções. Mas, se ficarmos em casa, não nos queixemos dos governantes que nos forem dados! E lembremo-nos que temos contas a dar uns aos outros e aos nossos vindouros pelo paÃs que somos e que passaremos à s futuras gerações. Os que são crentes sabem que têm a ajuda de Deus para uma escolha acertada, que venha a proporcionar vida mais humana a todos os cidadãos.
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