Comunidade Cristo de Betânea

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Terapia urgente

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Terapia do homem na sua totalidade:

Estou a colaborar nesta rubrica não como especialista, mas simplesmente com a experiência de quem teve de alimentar uma família quando chegava a casa cansada do trabalho e desejava ler um livro, pintar um quadro ou fazer todas as outrast arefas da casa, menos cozinhar.

Na sequência de um problema que tive no aparelho digestivo, debrucei-me sobre a questão da alimentação saudável e agora já decorreram três décadas. Nessa ocasião, comecei por tomar conhecimento das diversas formas de nos alimentarmos. Sou de opinião que o nosso modo de vida actual, não nos permite mudarmos de regime alimentar de um dia para o outro. Para nos propormos a seguir regularmente um regime, e o fazermos com sucesso, teríamos de viver num outro contexto em que também a maioria o praticasse. Como estas condições não se verificam, provavelmente surgiriam interrupções e com estas os inevitáveis prejuízos para o organismo.Mas, é possível ponderar a possibilidade da escolha dos melhores procedimentos de alguns regimes, afins ao nosso, e adoptá-los.  Foi assim que fiz.

Aproveitei o facto dos meus filhos serem pequenos para introduzir determinados hábitos alimentares que percebi serem úteis tais como o gosto pela variedade de saladas, o aumento de legumes crus, os pequenos almoços substanciais e variados consoante a época do ano e a diminuição dos fritos até à completa ausência. A experiência que fui adquirindo diz-me que, mesmo o mais pequeno hábito, leva tempo a instalar-se em todos os elementos da Família. Também percebi que devemos ser acompanhados por dietistas quando resolvemos alterar algumas particularidades da forma como estamos habituados a nos alimentarmos desde pequenos, sobretudo a nível das proteínas. Na falta de dietista devemos simplesmente consultar o nosso médico de família.

 

De unsregimes aproveitei o cuidado como se ingerem os alimentos (mastigar e ensalivaros sólidos até se tornarem em papa líquida) de forma a ser absorvida a maiorquantidade possível de alimento. Foi para mim uma novidade o facto de algunscereais serem fonte de proteínas a não desprezar (principalmente o trigointegral). Apercebi-me da importância dos sais minerais nos cereais integrais (ocálcio no arroz integral e na cevadinha) mas sobretudo as vitaminas E e B. Adiminuição destas no nosso organismo origina transtornos graves no sistemanervoso. Esta situação é devida ao consumo crescente de pão branco, arrozbranco, farinhas e massas brancas, ou seja produtos derivados dos cereais aosquais lhes foi roubada a película que afinal contém as vitaminas e outrosconstituintes importantes.

De outrosregimes confirmei a importância das leguminosas, sobretudo frescas (feijões,favas, ervilhas, soja, lentilhas) como fontes de proteínas. Os nossos Paisestavam certos com as variadas sopas sobretudo as de feijão no Inverno, com osovos caseiros, com o leite da vaca fresco, com os guisados onde se incluíamlegumes, com os doces só na Páscoa. Tomei conhecimento que o organismo humanoaguenta dois a três meses, só alimentado com batatas, sendo a maior parte crua.A cada passo tomamos conhecimento de factos similares a este. Soube que osIngleses registaram uma melhoria geral da saúde no período do racionamentoalimentar, por ocasião da segunda guerra mundial, simplesmente por essa raçãoser uma quantidade suficiente para suprir as necessidades do organismo deacordo com a idade e a actividade. Todos estes factos deixaram-me tranquila esegura.

Numa segundafase, passou a tornar-se importante para nós, o saber escolher os alimentos deforma a que estejam o mais próximo possível das condições em que a natureza os dá. O que procurávamos já não era só uma alimentação cuidada mas também uma qualidade dos produtos. Encarámos o ar puro também como alimento e o sossego como condição para um trabalho produtivo. Assim, um suceder de momentos relaxantes ao longo do dia, passariam a ser reconstituintes do sistema nervoso e como tal também seriam alimento. Era, na verdade mais abrangente a nossa busca! Tratava-se da nutrição saudável que passou a constituir o nosso objectivo, nesta área, a da alimentação do corpo. E a oportunidade desta concretização surgiu através de uma proposta de trabalho na província e numa Área Protegida,que aceitámos, apesar de termos de deixar um determinado número de condições excepcionais.

Numa terceira fase, apercebemo-nos de que a nutrição saudável tem muito a ver com o alimento espiritual, com a procura da segurança que nos vem de Deus e que nos fala através de Seu Filho Jesus Cristo com as seguintes palavras: «Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua Justiça, e tudo o mais se vos dará por  acréscimo.» (Mt6,33) E foi este o tema da primeira actividade que frequentámos, organizada pela Comunidade Cristo de Betânea, em Agosto de 2001.

De facto, reconheço hoje que foi Ele, coma Sua sabedoria e carinho infinitos que me foi transformando (confesso que iapara a cozinha “pelos cabelos”… mas Deus deu-me a graça de superar esse constrangimento) e as tarefas culinárias foram aproveitadas para exercícios espirituais. Agora, chegou a vez de comunicar, o que tenho posto em prática sobre a alimentação saudável, não só a amigos e colegas, como então fazia, mas também aos leitores da Revista Jesus Vivo.

                                                                                                                                           Maria Luísa Moura

 
Actualizado em Sábado, 28 Novembro 2009 12:18  

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